Blog · 31/08/2026
Perícia em Ação de Anulação de Reconhecimento de Paternidade
TL;DR: Em ações de anulação de reconhecimento de paternidade, o perito avalia tecnicamente a qualidade do vínculo socioafetivo já construído, elemento que pode sustentar a manutenção do registro mesmo diante de exame de DNA que exclua vínculo biológico — a verdade genética não é, por si só, suficiente para determinar a conclusão pericial.
O objeto técnico que vai além da confirmação genética
Quando a ação de anulação de reconhecimento de paternidade chega à perícia psicológica, o exame de DNA já costuma ter excluído o vínculo biológico — a pergunta técnica que resta é se o vínculo socioafetivo construído ao longo da convivência é suficientemente consistente para justificar, tecnicamente, a manutenção do registro civil.
Elementos técnicos examinados na perícia
- Consistência e continuidade do exercício da função parental pelo pai registral ao longo do tempo, independentemente da origem biológica.
- Qualidade do vínculo afetivo percebido pela própria criança ou adolescente, quando possível colher essa informação com técnica apropriada.
- Impacto psicológico esperado da anulação, considerando idade, maturidade e grau de consciência da criança sobre a situação.
- Contexto em que o reconhecimento original ocorreu, quando relevante para compreender a dinâmica familiar envolvida.
A jurisprudência como referência técnica relevante
O perito precisa conhecer a evolução jurisprudencial sobre o tema — tribunais superiores já consolidaram entendimento de que vínculo socioafetivo pode prevalecer sobre a verdade biológica quando sua manutenção atende ao melhor interesse da criança. Essa referência jurídica informa, mas não substitui, a análise técnica própria sobre a qualidade real do vínculo no caso concreto.
A variável da idade na avaliação do impacto psicológico
O impacto esperado da anulação varia conforme a fase de vida da criança — crianças muito pequenas, sem memória consciente formada, podem ter trajetória diferente de adolescentes com vínculo afetivo plenamente consolidado e consciência da situação. O perito examina essa variável com cuidado técnico específico ao caso, evitando generalizações.
Tabela-resumo: elementos técnicos da perícia
| Elemento | Relevância técnica |
|---|---|
| Vínculo socioafetivo consolidado | Pode sustentar manutenção do registro |
| Idade e consciência da criança | Influencia impacto psicológico esperado |
| Percepção da própria criança sobre o vínculo | Elemento técnico relevante, quando colhido apropriadamente |
| Contexto do reconhecimento original | Contribui para compreensão da dinâmica familiar |
Perguntas frequentes
1. O perito recomenda automaticamente anulação diante de DNA negativo?
Não — a análise técnica examina também a qualidade do vínculo socioafetivo, que pode sustentar manutenção do registro.
2. A criança pode expressar preferência sobre manter ou não o vínculo registral?
Quando idade e maturidade permitirem, sua percepção pode ser tecnicamente relevante para a avaliação.
3. O perito considera jurisprudência na sua análise técnica?
Conhece e considera a evolução jurisprudencial como referência, sem que isso substitua a análise técnica própria do caso.
4. Casos de crianças muito pequenas têm análise diferente de adolescentes?
Sim, a fase de desenvolvimento influencia significativamente a avaliação do impacto psicológico esperado.
5. O laudo pode recomendar manutenção parcial de algum vínculo, mesmo com anulação formal?
Pode fundamentar tecnicamente essa possibilidade, quando os dados do caso sustentarem essa recomendação.
Autor: Robison de Souza Alves Pereira — Perito em Psicologia Forense, CRP 06/156275, Perito TJSP nº 66.627.
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