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Robison Souza — Perito em Psicologia Forense

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Blog · 22/08/2026

Perícia em Ação de Guarda Entre Avós e Genitores

Perito em Psicologia Forense Robison Souza · CRP 06/156275

TL;DR: Em disputa de guarda entre avós e genitores, o perito judicial avalia se há risco real e documentado ao cuidado exercido pelos pais — o critério técnico que pode afastar a presunção legal de preferência parental, distinta de mera comparação sobre qual arranjo pareceria mais vantajoso.

O ponto de partida jurídico que orienta a perícia

O sistema jurídico brasileiro parte da presunção de que os pais biológicos têm prioridade natural sobre terceiros, incluindo avós, no exercício da guarda. O perito, ao avaliar esse tipo de disputa, precisa ter clareza de que sua análise não é uma comparação neutra entre dois arranjos possíveis, mas uma investigação sobre se há risco concreto que justifique afastar essa preferência legal.

O que o perito examina tecnicamente

  • Evidências concretas e documentadas de negligência, abuso ou incapacidade grave no exercício do cuidado pelos genitores.
  • A natureza e consistência do vínculo entre a criança e os avós, quando relevante para compreender o contexto familiar mais amplo.
  • Se alegações contra os genitores refletem risco real ou divergências de estilo parental sem impacto concreto sobre a criança.
  • O impacto psicológico esperado de eventual mudança de guarda, considerando os vínculos já estabelecidos com todas as partes envolvidas.

A distinção técnica entre preferência e risco

Um erro metodológico a evitar é tratar a disputa como uma simples comparação de qual arranjo seria "melhor" em termos gerais — condições materiais, estabilidade financeira, disponibilidade de tempo. O critério técnico central é risco real ao bem-estar da criança sob os cuidados parentais, não superioridade genérica de um arranjo sobre o outro.

Situações que tecnicamente sustentam afastamento da preferência parental

Negligência grave documentada, dependência química não tratada com impacto direto no cuidado, violência doméstica, ou abandono, quando comprovados tecnicamente, podem sustentar conclusão pericial favorável à guarda pelos avós. Divergências sobre estilo de criação, sem risco concreto associado, dificilmente sustentam essa conclusão.

Tabela-resumo: o que a perícia examina nessas disputas

ElementoRelevância técnica
Risco documentado no cuidado parentalCentral para afastar a preferência parental
Comparação de condições materiaisNão determinante isoladamente
Vínculo com os avósContextual, não substitui análise de risco
Impacto de eventual mudança de guardaConsiderado na conclusão técnica final

Perguntas frequentes

1. O perito parte de posição favorável aos avós ou aos genitores?
Nenhuma — mantém neutralidade técnica, examinando os dados concretos do caso conforme o critério legal de risco.

2. Melhores condições financeiras dos avós influenciam a conclusão pericial?
Não deveriam ser fator determinante isolado — o foco técnico está no risco real ao cuidado da criança.

3. Vínculo afetivo forte com os avós é suficiente para recomendar a guarda a eles?
Não isoladamente — é elemento de contexto, mas não substitui a exigência técnica de demonstração de risco.

4. Esse tipo de perícia é diferente de uma disputa de guarda entre dois genitores?
Sim — parte de premissa jurídica diferente (preferência parental), o que muda o enfoque técnico da análise.

5. O perito pode recomendar arranjo intermediário, como convivência ampliada com os avós?
Sim, quando tecnicamente indicado pelo caso concreto, sem necessariamente recomendar transferência total da guarda.

Autor: Robison de Souza Alves Pereira — Perito em Psicologia Forense, CRP 06/156275, Perito TJSP nº 66.627.

Leia também: Perícia em Ação de Destituição do Poder Familiar · Avaliação de Risco em Guarda

Quem escreve
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